terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Setor de imóveis corporativos se aquece no Grande ABC


Fonte: Diário do Grande ABC

O aquecimento da economia em 2010 agitou o mercado imobiliário no Grande ABC não apenas com grande número de lançamentos residenciais, mas também com impulso na procura por salas comerciais e galpões industriais.

Empresas que atuam no chamado segmento corporativo relatam que seus negócios cresceram até 40% em relação a 2009, estimulados também pela inauguração do Trecho Sul do Rodoanel - em março do ano passado. Os resultados seriam ainda melhores se não houvesse escassez de alguns produtos, como por exemplo, terrenos com mais de 200 mil m² e os que têm entre 4.000 m² e 6.000 m² na região. A falta de imóveis contrasta com a realidade das últimas décadas. Embora ainda seja possível encontrar galpões abandonados no Grande ABC, essa realidade mudou bastante. Pedro Gobi, gerente de marketing de uma empresa de locação e vendas de imóveis sediada em Diadema, cita que as faixas de "vende-se' ou "aluga-se' refletem hoje mais a rotatividade natural do mercado do que o encalhe dos espaços.

E entre os municípios da região, Mauá concentra mais opções para o setor. A cidade leva algumas vantagens sobre outros municípios por ter áreas disponíveis para uso industrial e também pela proximidade de acesso ao anel viário. São Bernardo também tem terrenos, mas muitos destes são alvos de limitações de ocupação, por ficarem em áreas de manancial. "Só pode ocupar 20%", explica outro executivo do ramo, o gerente de vendas Edson Vasquez.

VALORIZAÇÃO - A chegada do Trecho Sul, no entanto, gerou forte majoração dos preços. Simone Santos, diretora de serviços corporativos de uma grande empresa do ramo, calcula que o valor de terreno em Mauá aumentou dez vezes frente ao que era antes do Rodoanel. "Sai hoje por até R$ 400 o metro quadrado, o que é considerável". Pelas suas contas, 30 meses antes, havia opções a R$ 40.

O empresário Paulo Bio, proprietário de imobiliária na cidade, no entanto, discorda. Na sua avaliação, na média, os preços dobraram ou, no máximo, quadruplicaram. Ele cita que espaços bem situados, perto das alças de acesso e que saíam por R$ 200 o metro quadrado há dois anos, agora são encontradas por R$ 800.

Projeto de locação sob medida é tendência

Dentro do segmento corporativo, duas tendências de mercado têm se fortalecido na região: a locação de galpões construídos de acordo com projeto de grandes clientes (conceito conhecido em inglês como built to suit, ou seja, construído para servir) e a montagem de escritórios com mais de 300 m² de laje.

Em relação a esse último nicho, Simone Santos cita que, até o ano passado, praticamente o que havia no Grande ABC eram escritórios feitos com divisões de 30 a 50 m². "Agora, por causa da demanda, há construtoras e incorporadoras entrando nesse mercado (para oferecer salas mais amplas). Temos clientes que estão em prédios obsoletos e que precisam de salas de 2.000 m²".

Outra tendência em ascensão, o built to suit, são galpões construídos para atender demandas específicas das empresas interessadas em alugar os espaços e que se destinam à locação por prazo extenso (normalmente, mais de dez anos).

Paulo Bio cita que sua imobiliária firmou recentemente contratos desse tipo com grandes indústrias do ramo automotivo. Ele explica que, nesse conceito, é feita parceria com um locador investidor, dono do terreno, e sua empresa desenvolve o projeto, junto com consultorias especializadas.

Valorização de unidades em 11 anos atinge 737%

Os imóveis comerciais registraram supervalorização no Brasil de 737,9% nos últimos 11 anos. Na ponta do lápis, uma sala comercial que custava R$ 80 mil em 2000, passou a valer R$ 670,3 mil no fim de 2010.

A variação foi revelada pelo IGMI-C (Índice Geral do Mercado Imobiliário - Comercial). O indicador foi lançado na sexta-feira pelo Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) em parceria com a BM&F Bovespa (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo).

O IGMI-C é calculado com base em informações de investidores e empresas ligadas ao mercado imobiliário.

2010 - O ano passado teve a maior valorização dos imóveis comerciais da série histórica iniciada em 2000. De acordo com o Ibre/FGV, o retorno total dessas unidades avançou 33,5% no último trimestre de 2010, em comparação com o mesmo período do ano anterior.