segunda-feira, 4 de julho de 2011

Faltará crédito imobiliário em 2 anos se nada mudar, diz Santander


Fonte: Terra Imóveis
Por: Gustavo Rosilho


O quinto maior banco do Brasil, o Santander, acredita que em dois anos faltará recursos para financiamento imobiliário, caso as condições atuais de crédito não sejam alteradas neste período. De acordo com o presidente da instituição financeira no País, Marcial Portela, há dificuldade para os bancos em obter recursos para crédito de longo prazo, já que os depósitos feitos nas instituições são, em sua maioria, de curto prazo. "Se continuar do jeito que está, em dois anos pode faltar dinheiro", disse o executivo, nesta segunda-feira, na Espanha.

Segundo Portela, o tempo médio de duração dos depósitos dos brasileiros é de 1,1 ano, enquanto financiamentos imobiliários, por exemplo, chegam a durar até 30 anos. Essa diferença entre o tempo que o banco tem dinheiro a sua disposição para emprestar e o tempo que demora para receber de volta os recursos de um financiamento causa um desequilibrio. De acordo com o executivo, esse tempo de duração curto das aplicações no Brasil é fruto ainda de um passado de hiperinflação.

O Santander e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) negociam com o governo novas modalidades de aplicação para incentivar depósitos de longo prazo, disse o diretor geral para Américas do banco, Francisco Luzón.

Ainda sobre o crédito imobiliário, Portela reconheceu que há uma valorização "alta" em algumas regiões do País, como em São Paulo, mas disse que não há indícios de inconsistências neste fenômeno para a preocupação com uma bolha, como aconteceu nos Estados Unidos e na própria Espanha, nos últimos anos. "Os preços têm subido muito, mas não há risco para se pensar em uma bolha nos próximos cinco anos".

Portela afirmou que o crédito imobiliário, embora cresça a uma taxa de 40% ao ano no Brasil, ainda responde por apenas 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, o que dá espaço para mais avanço. Para o presidente do Santander, a economia brasileira continuará avançando e o País deverá ter menos pessoas que os Estados Unidos abaixo da linha de pobreza num prazo de três anos. "O Brasil deverá continuar crescendo (num ritmo como o atual) pelos próximos quatro anos".