terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tombini descarta formação de bolha de crédito no Brasil


Fonte: Estadao.com


O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, descartou nessa quinta-feira, 4, a possibilidade de uma bolha de crédito na economia brasileira. Segundo ele, o Brasil vai continuar crescendo, com inflação baixa e sem problemas de inadimplência. 

Em entrevista ao programa "Bom Dia Ministro", Tombini disse estar atento ao endividamento das famílias. Contudo, não demonstrou preocupação. Ele avalia que, em um processo de alta de juros, a inadimplência tende a aumentar. "Mas nada diferente", disse, ressaltando que continua em níveis baixos. Tombini ponderou que o Brasil tem uma regulação e supervisão bancária "intensas". "Estamos atentos", disse ele. 

Veja abaixo outros pontos da entrevista: 

Câmbio 

Tombini, destacou que o câmbio é flutuante e que, por isso, é necessário, para quem tem renda em reais, que se tome cuidado para que não se assuma compromissos em dólar em excesso. "O câmbio flutua para os dois lados. É sempre bom lembrar que o dólar pode não ficar assim", disse. 

O presidente do BC afirmou ainda que o Brasil está agindo para evitar o "aproveitamento ingênuo" do dinheiro fácil que está no mundo e toma a cautela necessária para evitar problemas maiores caso a conjuntura se reverta. Em relação aos fluxos de dólares, o presidente do BC destacou que é bom para o País os recursos destinados a investimentos, porque elevam a capacidade de oferta da economia e ajudam no combate à inflação. 

Inflação 

Tombini disse que a inflação em 12 meses vai cair dois pontos porcentuais entre agosto deste ano e abril do ano que vem. Segundo ele, as medidas adotadas pela autoridade monetária para combater a inflação já estão funcionando e seus efeitos serão sentidos com mais força no último trimestre de 2011. 

Ele reafirmou que a autoridade monetária vai perseguir o centro da meta de inflação em 2012, de 4,5% - compromisso reiterado outros duas vezes na sequência. 

Segundo o presidente do BC, a economia brasileira está desacelerando e a inflação está, em bases mensais, rodando abaixo da meta. "A inflação está sob controle, estamos trabalhando para isso. Não é questão de otimismo, trabalhamos para ela convergir ao centro da meta em 2012", disse. 

Tombini afirmou ainda que a economia brasileira está moderando o crescimento, refletindo a taxa de juros em alta, mas vai continuar se expandindo e deve fechar 2011 com alta de 4% do PIB. Ele ainda destacou que no futuro será possível ter bom crescimento com juros mais baixos. "Ao longo do tempo, será possível ter juros mais baixos com crescimento econômico", disse. 

Crise internacional 

Tombini afirmou ainda que o Brasil está "preparado" e tem "capacidade" de enfrentar um ambiente internacional mais difícil nos próximos meses, "se for o caso" de "agudização" do cenário econômico. Ele destacou que o governo brasileiro acompanha o cenário internacional de forma "criteriosa". Ele citou duas ferramentas que auxiliam essa defesa do Brasil e que foram importantes na crise financeira de 2008: as reservas internacionais e os depósitos compulsórios. 

Na sua avaliação, o acordo sobre o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos trouxe "alívio". "O impasse foi superado", mas ele ponderou que a situação da economia internacional inspira "cuidados". Tombini destacou que a economia mundial cresce menos do que o esperado, com revisões de expansão para baixo.