terça-feira, 2 de agosto de 2011

Barra Funda ganha “bairro” planejado


Fonte: Folha.com


Um terreno de 250 mil m² (o equivalente a 25 quarteirões) recebe investimentos para virar um "bairro" planejado na região da Barra Funda (zona oeste de São Paulo). 

As construtoras donas da área e responsáveis pela obra --Tecnisa (com 75%) e PDG (25%)-- começam, nesta semana, os trabalhos de infraestrutura para sistemas de água, luz, esgoto, telefone e a abertura de vias. 

As companhias não revelam quanto vai ser aplicado no empreendimento nem quais serão as fontes dos recursos, mas o VGV (valor geral de venda) está estimado em R$ 4 bilhões. 

Serão 14 ruas e duas avenidas, abertas ao tráfego, e 30 lotes de tamanhos entre 3 mil m² e 10 mil m². Alguns desses lotes poderão ser unificados, conforme o caso. 

O projeto prevê a construção de cerca de 30 torres residenciais, com apartamentos de 90 m² a 270 m², duas torres comerciais e um centro para lojas de conveniência, além de praça de 50 mil m² (ou cinco quarteirões), que será doada à prefeitura e aberta ao público.

"As licenças para as obras de infraestrutura nós já temos, mas o processo para as demais autorizações, para os lançamentos imobiliários, só ocorre a partir do ano que vem, com os lotes já registrados", diz Fabio Villas Bôas, diretor-executivo técnico da Tecnisa. 

O terreno, margeado pelas avenidas Marquês de São Vicente, Nicolas Boer e Gustav Willi Borghoff, que foi comprado da Telefônica pela Tecnisa, em 2007, por R$ 133 milhões, está orçado em R$ 700 milhões --reflexo do boom imobiliário paulistano. 

O preço médio de venda do m² de terrenos na Barra Funda saltou de R$ 600, em 2006, para R$ 3.500 neste ano, segundo dados da Herzog Imóveis Industriais e Comerciais. 

O valor do m² novo de apartamentos no bairro também subiu cerca de 25% nos últimos 12 meses, indo para R$ 6 mil. 

Apesar da alta, o preço ainda é mais baixo do que os praticados em bairros próximos, como Perdizes. 

"A demanda por imóveis residenciais na Barra Funda está aumentando; o morador tem os mesmos benefícios de localização e infraestrutura de transporte que nos bairros vizinhos, mas a preços menores", diz Villas Bôas. 

Espaço Público 

O arquiteto Hélio Mítica Neto, do escritório Terra Urbanismo e um dos responsáveis pelo projeto, diz que "o grande legado é a qualidade do espaço público" proposta no empreendimento. 

A praça de 50 mil m², aberta à população, vai comunicar a Marquês de São Vicente com outras vias de acesso ao "novo bairro". 

Todos os prédios serão construídos de frente para essa praça, com distância de cerca de 40 metros entre um e outro, e terão recuo extra a partir da rua. As calçadas também serão largas e bem iluminadas. 

"Acredito que a melhor estratégia de segurança seja a utilização contínua do espaço público e queremos estimular isso", diz Mítica Neto. 

Verticalização "inteligente" é solução para SP Empreendimentos que promovam "verticalização inteligente" são uma solução para São Paulo, na avaliação de João Crestana, presidente do Secovi (sindicato da habitação). 

"A cidade já se espalhou muito. Precisamos, agora, ocupar os espaços vazios com inteligência", afirma. 

Crestana diz que, além da Barra Funda, a Mooca é um bairro forte candidato a receber projetos que substituam os antigos galpões industriais por prédios residenciais mais espaçados entre si, com calçadas largas e mais áreas verdes públicas. 

"Cidades do exterior, como Nova York, mostram que a verticalização pode ser altamente favorável, dependendo das contrapartidas oferecidas à cidade", diz. "Com acesso adequado e mobilidade para os moradores, os edifícios, por exemplo, precisam de menos garagens." 

O executivo do Secovi afirma ainda que a reocupação de locais como Mooca e Barra Funda precisa ser feita com diversificação. "É necessário haver, além de residências, escritórios, comércio e espaço para lazer." 

Simone Santos, diretora de serviços corporativos da Herzog Imóveis Industriais e Comerciais, afirma que a preferência por conciliar trabalho e moradia na mesma região tem sido cada vez constante entre os paulistanos. 

"Considerando a escassez de terrenos livres em São Paulo e os altos preços, as áreas com galpões podem ser as maiores oportunidades para as construtoras."