quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Por R$ 2 bilhões, Kassab quer liberar mais prédios na região da Faria Lima


Fonte: Estadão.com


A 15 meses de encerrar seu segundo mandato, o prefeito Gilberto Kassab quer colocar no mercado R$ 2 bilhões em títulos que vão permitir a construção de prédios acima da lei de zoneamento na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima. Pelo projeto enviado à Câmara Municipal, 452 mil metros quadrados poderão ser adquiridos por incorporadoras que quiserem construir novos empreendimentos em uma das regiões mais cobiçadas hoje pelo mercado imobiliário. 

Se aprovada, a proposta do prefeito vai alterar a Operação Urbana Faria Lima, de 1995, e descongelar os "estoques" (áreas disponíveis) para novos condomínios comerciais e residenciais em bairros já saturados, como Pinheiros e Itaim-Bibi, principalmente na Avenida Hélio Pellegrino e no entorno do Largo da Batata. No total, o prefeito quer vender mais 500 mil Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs), quase o mesmo número que já foi negociado nos últimos dez anos na região. 

No último leilão da operação, em 25 de maio de 2010, cada Cepac foi comercializado por R$ 4 mil, valor considerado até baixo nos dias de hoje, pela demanda do mercado - ou seja, com a venda, a Prefeitura lucraria no mínimo R$ 2 bilhões e as construtoras poderiam usá-los para construir prédios mais altos em terrenos menores. 

"É que sobraram metros quadrados na região, mas não temos mais Cepacs para vender. O que for arrecadado agora será investido em melhorias dentro do próprio perímetro da operação", argumentou o secretário municipal de Planejamento, Rubens Chammas, que espera fazer o leilão dos novos Cepacs até o fim do ano. "Não estamos criando metros a mais, apenas estamos criando mais Cepacs para vender o que já existe." 

O projeto chegou nesta quinta-feira, 1, a gabinetes de vereadores e já provocou reações adversas até de quem é do mercado imobiliário. Dono de construtora, o vereador Domingos Dissei (DEM) avalia que a região da Faria Lima já está com "trânsito impraticável" para receber mais empreendimentos. "Tem gente desesperada atrás de Cepac da Faria Lima e não existe mais nem para revenda. O problema é que a região se adensou demais. Talvez o governo devesse abrir mão desses últimos 452 mil m² para evitar colapso no trânsito."