quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Financiamento de imóveis com recursos da poupança cresce

Fonte: DCI

O volume de empréstimos para a compra de imóvel com recursos da poupança cresceu 69% de janeiro a outubro, frente ao do mesmo período do ano passado, para R$ 44,9 bilhões. Desde agosto, o montante acumulado em 2010 já supera a totalidade de empréstimos de 2009.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), considerando-se apenas outubro, em comparação com o décimo mês de 2009, foi registrado crescimento de 62% do valor contratado, uma vez que no mês retrasado o volume foi de R$ 5,47 bilhões.

No ano, 342,4 mil imóveis foram financiados com os recursos, alta de 44%.

Arenas viram novo modelo de negócios


Fonte: Valor

A alta exigência de financiamento para a construção dos 12 estádios planejados para a Copa de 2014 - um investimento próximo a R$ 6 bilhões - levou clubes e poder público a buscar fórmulas alternativas de contratação dos projetos. Algumas propostas envolvem a combinação de contratos de construção e concessão associados ao desenvolvimento de empreendimentos imobiliários nos arredores das arenas.

De olho nesse mercado não usual, grandes empreiteiras do país também estão mudando seu jeito de fazer negócios e criando áreas que tentam combinar construção, marketing esportivo e ações no ramo imobiliário.

A OAS Empreendimentos Imobiliários resolveu abrir uma subsidiária, a OAS Arena, empresa que cuidará da construção e gestão de estádios de futebol. A idéia é que a nova companhia faça a ponte entre os complexos esportivos e a incorporação imobiliária. Pretendem aproveitar os terrenos vizinhos para projetos e até aproveitar o terreno do estádio - em casos de transferência da sede.

Em diversos lugares, os estádios foram construídos na periferia, mas acabaram engolidos pelas cidades e acabaram em lugares estratégicos e, geralmente, valorizados. É o caso do Olímpico, estádio do Grêmio, em Porto Alegre. Foi justamente por causa desse projeto, que lhe garantiu o direito de operar o estádio por 20 anos, que a OAS resolveu criar a nova empresa.

No local, construirá também prédios comerciais, residenciais, hotel, centro de convenções, edifício-garagem e torres comerciais. Em contrapartida, ficará com o terreno onde está o atual estádio do Grêmio, que abrigará um projeto residencial. O novo estádio, previsto para ser entregue em março de 2013, vai ser usado para treinos na Copa. O estádio escolhido para sediar o evento é do concorrente, o Internacional.

A construção do complexo custará R$ 475 milhões, 45% financiados pelo BNDES e 55% com recursos próprios. O que era para ficar em um único projeto, ganhou escala maior depois que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014. Além do Grêmio, a OAS vai dividir com a Odebrecht (50% cada) a construção e a gestão da Fonte Nova, em Salvador - este sim, uma das sedes da Copa.

Segundo Carlos Eduardo Paes Barreto Neto, diretor da OAS Empreendimentos, e novo responsável pela OAS Arenas, a companhia também está disputando todas as outras licitações que não foram definidas, como Natal e Cuiabá. Na Bahia, por exemplo, o objetivo é criar uma casa de shows. "O princípio, como em outros lugares do mundo, é ter uma casa de eventos, lastreada em futebol, que tem prioridade na agenda", diz Barreto Neto.

Além dos shows e dos jogos, o objetivo é ter uma ampla área de serviços, como restaurantes, lojas, espaços para festas infantis, museu, feirão de automóveis e até eventos religiosos. "Queremos otimizar ao máximo esses espaços", afirma. "Dá para dobrar a receita dos estádios com facilidade." Com aproximação dos projetos para receber a Copa, a Odebrecht criou uma área específica para o assunto dentro da Odebrecht Participações e Investimentos, a incubadora de negócios do grupo - de onde saíram a empresas do grupo na área de saneamento, transportes e energia.

O objetivo era se capacitar para gerir o negócio e disputar contratos que combinam a construção e gestão dos estádios. Este ano, a empresa arrematou duas Parcerias Públicas Privadas (PPPs) para construir e operar por 30 anos os estádios de Salvador - em sociedade com a OAS - e Pernambuco.

Cada obra custará cerca de R$ 500 milhões cada uma. Para viabilizar o negócio, está contratando empresas do ramo de marketing esportivo e eventos dos EUA e Europa. Segundo Jeans, nos contratos de PPP, o governo para ao consórcio uma renda mínima em troca da gestão do estádio, e aquilo que o consórcio conseguir arrecadar a mais com suas ações de marketing é dividido entre as empresas e o governo. No caso de Recife, a contrapartida prestada pelo governo totaliza R$ 379 milhões, pagos ao longo do prazo da concessão.

Em Pernambuco, a Odebrecht tem ainda o direito a desenvolver projetos imobiliários para o resto da área obtida pelo governo para o projeto da “cidade da copa”. São ao todo 270 hectares, dos quais apenas 50 serão utilizados para a arena. A área deve abrigar empreendimentos imobiliários e comerciais, mas segundo Felipe Jens será desenvolvido à parte da arena e exigirão outro tipo de contrato com o Estado.

Com um modelo parecido, a WTorre está fazendo a reforma do estádio do Palmeiras, que passa a ter 42 mil lugares. Com direito de explorar o espaço por 30 anos, a construtora terá receita do aluguel dos camarotes, cadeiras, espaço publicitário, centro de convenção, restaurantes e 1,5 mil vagas de estacionamento que ficarão em um edifício garagem construídos ao lado do estádio. A arena foi projetada para abrigar um espaço para shows - inclusive parte do estádio é coberta.

Bula nos Imóveis


Fonte: Mercado Aberto

No primeiro ano da estréia da farmacêutica EMS nos negócios da área imobiliária, a sua incorporadora ACS vai fechar 2010 com oito empreendimentos e VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 330 milhões.

"Para o próximo ano, nós devemos ultrapassar as estimativas iniciais de R$ 400 milhões", diz Silvio Chaimovitz, presidente da empresa.

A incorporadora começou as operações em janeiro com um lançamento residencial em Campinas (SP) e agora chega à capital.

Serão três empreendimentos, dois residenciais (em Pinheiros e Chácara Klabin) e um comercial (no Jabaquara), com VGV estimado de R$ 83 milhões. O foco da companhia é atuar também na região do Grande ABC e na cidade de Santos.

"Essas regiões são importantes por estarem próximas ao porto. Com os negócios do pré-sal, vai ter muita empresa e moradores a procura de imóveis próximos às rodovias Anchieta e Imigrantes", diz Chaimovitz.

13 Passos para escolher o melhor Fundo Imobiliário


Fonte: Exame

Analistas do BTG Pactual dizem como avaliar se o investimento em um desses fundos vale ou não a pena

Os fundos imobiliários são uma opção interessante de obter uma rentabilidade um pouco maior que a da renda fixa sem assumir um risco tão alto quanto o da bolsa. O país passa por um boom imobiliário, gerado por uma combinação de juros em um patamar historicamente baixo, inflação sob controle, aumento da renda e da mobilidade social, incentivos governamentais para a compra de imóveis e déficit habitacional alto.

Paradoxalmente, os fundos imobiliários ainda atraem um número muito restrito de investidores no Brasil. A maior parte deles são clientes de private banks - que geralmente possuem um patrimônio financeiro superior a 1 milhão de reais. O aumento da participação dos investidores de varejo esbarra principalmente na dificuldade para a escolha de um fundo imobiliário. O mercado ainda não amadureceu, é acompanhado por um número pequeno de pessoas e há poucos especialistas aptos a dar aconselhamento aos investidores.

Há algumas semanas, o banco BTG Pactual jogou um pouco de luz nesse porão ao divulgar o relatório "Entendendo os fundos de investimento imobiliário". Em 24 páginas, os analistas Alexandre Muller, Monica Ferri e Rodrigo Monteiro explicam os aspectos que devem ser analisadas pelo investidor antes de investir em um fundo imobiliário. Com a expectativa de forte crescimento na oferta de quotas e de entrada de novas instituições financeiras nesse segmento, fazer o dever de casa e estudar as características de cada fundo tornou-se tão importante quanto analisar em profundidade determinada empresa antes de investir em suas ações. Veja a seguir 13 passos para escolher o melhor fundo:

1 - A principal dica é escolher bem o gestor do fundo imobiliário. O gestor é o responsável por escolher os imóveis que farão parte da carteira e que serão alugados para remunerar os quotistas. Caso o gestor tome decisões acertadas, o risco de inadimplência ou vacância será bem menor. A chance de o imóvel se valorizar ao longo do tempo também cresce. "Acreditamos que a presença de um gestor experiente e qualificado representa um fator de influência determinante sobre o desempenho dos fundos imobiliários", escreveram os analistas do BTG Pactual. Eles não apontam quais seriam os melhores gestores, mas, no mercado, casas como o Credit Suisse Hedging-Griffo, a RB Capital e a Brazilian Finance & Real State possuem uma boa reputação nessa área.

2 - Prefira fundos imobiliários com quotas negociadas na Bovespa. Apenas 42% dos fundos imobiliários constituídos no país possuem essa característica. O ganho do investidor é duplo. Em primeiro lugar, é mais fácil vender as quotas do fundo e recuperar o dinheiro investido. Além disso, os ganhos da pessoa física com os aluguéis ficam isentos de Imposto de Renda desde que respeitadas mais duas condições. O fundo precisa ter ao menos 50 quotistas e nenhum deles pode ter mais de 10% do patrimônio. São tributados com uma alíquota de 20% de IR apenas os ganhos de capital obtidos com a venda de cotas em bolsa. Mesmo assim, a vantagem tributária do fundo imobiliário é enorme. O aluguel de um imóvel é tributado com a tabela progressiva do IR, que inclui alíquotas de 7,5% a 27,5% para valores acima de 1.499,15 reais mensais.

3 - Prefira fundos com formador de mercado. Através desse serviço, um agente financeiro fica formalmente responsável por estimular a liquidez das cotas do fundo no mercado secundário e colocar preços de compra e venda das quotas diariamente. Como a maior parte dos fundos imobiliários tem prazo indeterminado, é provável que em algum momento o investidor deseje resgatar suas quotas. O fundo com formador de mercado garante uma porta de saída sem que o investidor tenha que aceitar um deságio muito grande para dar liquidez à aplicação. Mesmo assim, o risco ainda é maior que o da maioria dos fundos de renda fixa, por exemplo, em que o dinheiro aplicado pode ser resgatado a qualquer momento.

4 - Caso o fundo seja formado por um único imóvel já ocupado por apenas uma empresa, o investidor deve ficar atento ao risco de crédito do inquilino. Se essa companhia enfrentar dificuldades financeiras, o risco de inadimplência aumenta. Mas caso o inquilino atue num setor em crescimento, seja pouco endividado e tenha fluxo de caixa contínuo, o risco do fundo obviamente será menor. "O rating de crédito do locatário, preparado por uma agência independente, deve ser utilizado como fonte de informação para essa avaliação", diz o BTG.

5 - Mesmo que já haja uma empresa com boa capacidade de pagamento instalada no imóvel, o investidor deve avaliar o risco de ele ficar sem inquilino no futuro se essa companhia decidir se transferir para outro edifício. "Como existe a possibilidade de não-renovação do contrato de locação em algum momento futuro, é necessário entender as qualidades do imóvel explorado com o objetivo de estimar a viabilidade de substituição do locatário ao término do contrato.".

6 - Verifique se o imóvel já ficou desocupado no passado e por quanto tempo. "A localização do imóvel é uma das variáveis mais importantes na determinação de sua taxa de vacância", diz o relatório. A concorrência de outros imóveis com as mesmas características na mesma região e os preços dos aluguéis também podem elevar o risco de o imóvel ficar sem inquilino. "É importante que o preço esteja em linha com a média praticada na região", diz o BTG. Preços elevados até podem elevar a rentabilidade do fundo num primeiro momento, mas também aumentam o risco de vacância dentro de alguns meses ou anos.

7 - Fundos com imóveis construídos sob medida (build-to-suit) para determinados locatários também apresentam riscos. Muita gente considera que esse risco é menor porque se espera que o locatário permaneça no imóvel até o término do contrato, que costuma ser de longo prazo (mais de uma década) e com previsão de multa em caso de rescisão. Mesmo assim, o investidor deve analisar se haveria demanda caso o inquilino decidisse pagar a multa para deixar o imóvel. A localização, o padrão construtivo e o estado físico do empreendimento podem ajudar ou não na busca de um novo inquilino.

8 - Quando um imóvel estiver ocupado por vários inquilinos, há diluição do risco de inadimplência e vacância. No entanto, fica praticamente impossível avaliar caso a caso qual é a chance de não-pagamento dos aluguéis. Nessa situação, o conselho do BTG Pactual é analisar o desempenho passado do empreendimento e verificar a ocorrência de eventos negativos. "É esperado que o desempenho futuro do fluxo de aluguéis desvie pouco em relação ao desempenho médio do passado, com exceções de alguns eventos sistêmicos", escrevem os analistas. Crises financeiras em determinadas regiões ou o aumento da concorrência com a abertura de novos empreendimentos estão entre os eventos extraordinários que podem piorar o desempenho de um fundo ao longo do tempo.

9 - Pequenas taxas de vacância não são necessariamente ruins e devem ser encaradas por duas óticas. A primeira é que o fundo perderá receita momentaneamente. Por outro lado, o administrador terá a oportunidade de corrigir o preço dos aluguéis caso os atuais contratos estejam defasados em relação ao resto do mercado. No Brasil, a maioria dos contratos de aluguel são reajustados com base no IGP-M. Mas quando a economia vai bem, os novos contratos acabam sendo reajustados mais rapidamente do que os que estão indexados.

10 - Verifique a disponibilidade de terrenos no entorno do empreendimento. "No caso de shoppings, por exemplo, a possibilidade de construção de outros shoppings semelhantes nas proximidades pode ser um fator de risco a ser considerado, o que dependerá da disponibilidade de terrenos localizados próximos ao imóvel do fundo e de novos projetos sendo construídos por outros construtores."

11 - Os fundos de desenvolvimento de imóveis oferecem mais riscos, mas também têm um potencial de retorno maior. Em tese, quando o imóvel ainda nem foi construído, os cotistas podem se beneficiar de todo o processo de valorização do empreendimento. No Brasil, entretanto, a maioria dos investidores foge desse risco. Há poucos fundos que captam dinheiro para construir um empreendimento que só no médio ou longo prazo começará a gerar receitas de aluguel. O risco é maior porque não se sabe como estará o mercado quando a obra for concluída nem se não haverá problemas durante a fase de construção. É importante entregar dinheiro apenas a gestores que tenham feito uma análise profunda da viabilidade do investimento. O gestor também terá de verificar se o projeto conta com a aprovação dos órgãos competentes. Caso o terreno não possa abrigar determinado empreendimento ou esteja arrendado ou hipotecado, o prejuízo poderá ser grande no futuro. Na fase de obra, é importante que os colaboradores tenham contratos formais para a realização do serviço para evitar futuras ações trabalhistas. A entrega da obra no prazo ajuda a evitar cancelamento de contratos ou processos judiciais. A responsabilidade do gestor, portanto, é imensa – e cabe à pessoa física buscar o histórico de resultados de cada um. "Os retornos dos fundos de desenvolvimento imobiliário estarão sempre relacionados à capacidade dos gestores e seus respectivos parceiros estratégicos de selecionar projetos imobiliários com as melhores rentabilidades."

12 - Fundos imobiliários também podem investir em papéis como CRI, letras de crédito imobiliário ou letras hipotecárias em suas carteiras e são uma boa alternativa de diversificação. Assim como um fundo de ações, o gestor pode comprar diversos papéis de diferentes emissores e alterar as estratégias de acordo com o momento do mercado imobiliário. A tomada de decisão é feita exclusivamente por equipes habilitadas para a análise dos melhores títulos - sem a participação do investidor. O risco, no entanto, é bem menor que o do mercado acionário. Esses papéis costumam oferecer uma série de garantias. "São títulos com volatilidade menor de rendimentos quando comparados a investimentos em ações, o que tende a proporcionar menores riscos e retornos." Vale lembrar que esses fundos também podem comprar ações de empresas imobiliárias listadas na Bovespa. Nesse caso, os riscos passam a ser os mesmos da renda variável.

13 - Se decidir comprar quotas de um fundo imobiliário já negociado em bolsa, fique atento a números como o valor patrimonial, a taxa de retorno e o pagamento de dividendos. Nesse caso, a análise do que é caro e do que é barato é muito parecida com o que se faz no mercado de ações. Um fundo pode ser negociado por duas ou três vezes seu valor patrimonial. O investimento pode ser considerado caro a não ser que haja um grande potencial de crescimento dos retornos, farta distribuição de dividendos ou alta rentabilidade sobre o patrimônio.